quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ESOCOLA BILÍNGUE REFORÇA ENSINO LIBRAS COMO LÍNGUA MATERNA
            Comunicação em forma de sinais, seja nas paredes ou portas. Este é o cenário da EMEE (Escola Municipal de Ensino Especial) Olga Benário Prates, em Diadema. Além de reforçar a importância do aprendizado de Libras para garantir autonomia e comunicação dos 59 alunos surdos, a unidade de ensino proporciona convívio entre as pessoas com deficiência auditiva e 231 ouvintes.
A proposta, segundo a diretora da instituição de ensino, Liliane Leite Silva Jardim, é ajudar o estudante a construir identidade, a partir da convivência com outros alunos e professores surdos, além de administrar os dois idiomas ao mesmo tempo. "Sabemos que na rede regular o intérprete apenas traduz o que o professor fala. Por ele não ser educador, não ensina", observa.
A rotina escolar é idêntica a de unidade de ensino regular. Aulas com quadro negro, corre-corre na hora da merenda e até ensaios de dança para apresentação destinada aos pais pode ser observada.
Apesar de as salas de surdos e ouvintes serem separadas, atividades em conjunto garantem a integração entre estudantes. Para isso, ouvintes também recebem aulas de Libras, explica a educadora surda oralizada e instrutora de Libras, Adriana Moreira Oliveira Dias. "Os alunos ouvintes geralmente gostam de aprender, principalmente quando sentem necessidade, seja por vontade de se comunicar com amigos surdos ou até mesmo paquerar", destaca.
A professora de Educação Especial Ana Paula Ferreira ressalta que a participação dos pais é fundamental para que o aprendizado de Libras seja mais eficaz. "É uma nova língua e, por isso, difícil para a família aprender", comenta.
O encaminhamento de alunos para a unidade de ensino se dá pelos serviços de saúde ou até mesmo pela rede de educação. Os pais podem escolher se desejam que as crianças estudem na escola bilíngue ou sejam incluídas na rede regular de ensino. "Tem família que opta pela escola comum porque tem receio de que aqui a criança vai deixar de oralizar por causa da linguagem de sinais", observa a coordenadora do Serviço de Educação Especial de Diadema, Fabiana Leme.
Futuramente, de acordo com a coordenadora, a ideia é ampliar a oferta de vagas para a Educação Infantil, de acordo com a demanda. "Não há lista de espera. Percebemos que houve redução de pessoas surdas no município", acrescenta.


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