sexta-feira, 15 de agosto de 2014

COMUNIDADE SURDA REIVINDICA DIREITOS IGUAIS DE APRENDIZADO
O processo de aprendizado de estudantes com deficiência auditiva passa por novo período de debate no Brasil. Enquanto a comunidade surda e que tem Libras (Língua Brasileira de Sinais) como idioma materno batalha pelo direito de estudar em escolas bilíngues, o MEC (Ministério da Educação) defende inclusão dos alunos na rede regular de ensino.
A tentativa do movimento de direito dos surdos é afastar a velha sensação de que o deficiente auditivo é estrangeiro dentro de seu País de origem, tendo em vista a dificuldade de comunicação quando vai ao banco, ao médico ou registrar boletim de ocorrência. "Além do preconceito linguístico e cultural, os surdos sofrem com dificuldade do acesso às novas tecnologias", destaca a especialista em Educação Bilingue e Interpretação e Ensino de Libras, Neiva Aquino.
Na região, são pelo menos 330 estudantes surdos ou com deficiência auditiva, sendo cerca de 200 em EMEEs (Escolas Municipais de Ensino Especial) - que atendem alunos do Ensino Fundamental I e II (seis a 14 anos) de Diadema e São Bernardo. Os demais estudantes frequentam a rede de ensino regular, onde têm atendimento educacional especializado, instrutores e intérpretes dentro da sala e realizam atividades específicas, como curso de Libras e fonoaudiologia, no contraturno escolar.
Aqueles que defendem a inclusão entendem que as escolas especializadas não oferecem ambiente adequado para o aprendizado pleno. "Um local com recursos variados e convívio entre ouvintes e surdos é mais propício à educação do que lugar onde ficam isolados" destaca a coordenadora geral do departamento de Educação Especial de Mauá, Deigles Amaro.
Já a diretora regional da Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) em São Paulo, Sylvia Lia Neves, salienta que a inclusão deveria acontecer no segundo ciclo do Ensino Fundamental, quando a criança surda já adquiriu a língua de sinais e está alfabetizada em português pelas escolas bilíngues. A entidade pede que o direito da educação bilíngue - decreto 5.626/05 - conste no PNE (Plano Nacional de Educação), que tramita no Congresso desde dezembro de 2010.
Sylvia observa que secretarias estaduais e municipais tem estratégia de enfraquecer escolas de surdos para futuro fechamento das unidades. O ideal, segundo a Feneis, seria a possibilidade de as famílias escolherem entre as duas opções de educação. Exemplo disso pode ser observado em São Bernardo, quando, em maio, houve manifestação de pais de estudantes da escola Professora Neusa Basseto, contra possível fim das atividades da instituição de ensino. Na oportunidade, a prefeitura negou o boato.

Na mesma direção segue carta aberta encaminhada pelos sete primeiros doutores surdos do país ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O texto destaca que ao contrário do que se adotam as escolas bilíngues não são segregacionistas, mas considera segregadora de impor que alunos surdos e ouvintes estejam no mesmo espaço sem que tenham mesmas oportunidades de acesso ao conhecimento.

Disponível em: http://www.dgabc.com.br/Noticia/43105/comunidade-surda-reivindica-direitos-iguais-de-aprendizado?referencia=buscas-lista acesso em 15/08/2014 as 13:46h

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